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O espaço da língua portuguesa num mundo globalizado (II)

Ponto Final

Artigo de opinião no “Ponto Final” de 28 de Fevereiro, página 3.

A CPLP é uma organização transcontinental com bastante potencial. Portugal e Brasil, os dois membros mais desenvolvidos, têm muito a ganhar com a plena integração dos outros Estados-membros no mercado global. A transferência de tecnologia, por exemplo, pode auxiliar os países menos desenvolvidos a acelerar o seu crescimento económico. Uma vez que organização inclui países em diferentes níveis de desenvolvimento, existe amplo espaço para uma melhoria da cooperação comercial e para a criação de oportunidades ​​para todos. Alguns autores falam de um “Atlântico Lusófono” para aludir ao papel tradicional do português como uma plataforma entre a Europa, África e o Brasil. Mas o que significa essa expressão agora que os impérios coloniais pertencem ao passado e vivemos num mundo globalizado, dominado pelo idioma Inglês, pelo neoliberalismo Anglo-Americano, e talvez num futuro próximo pela China?

A lusofonia é um agrupamento cultural e linguístico que tem necessariamente de competir com os blocos regionais de integração económica. Mesmo que alguns a encarem com desdém, a CPLP pode tornar-se num veículo dinâmico para a promoção da coordenação económica, cultural e social dos seus Estados-Membros. A nova era da globalização confronta os seus membros com vários problemas. O património comum da língua portuguesa pode ser usado como uma ferramenta para novas formas de colaboração e ajudar a enfrentar os desafios colocados pelo mundo contemporâneo.

O português é cada vez mais encarado como uma língua internacional com um papel específico a desempenhar num mundo globalizado. Uma das repercussões da globalização é o estímulo à aprendizagem de línguas estrangeiras. A relevância da língua portuguesa na arena internacional tem vindo a crescer nos últimos anos, principalmente devido ao crescimento económico do Brasil, Angola e Moçambique. Relações comerciais de sucesso dependem de ferramentas de comunicação adequadas. Cada vez mais os empresários precisam de gerir e valorizar a capacidade linguística como um activo da empresa. As empresas multinacionais, em particular, exigem muitas vezes competências linguísticas específicas aos seus empregados. Os mercados são segmentados de acordo com perfis de clientes baseados em grupos geográficos ou linguísticos. A análise do potencial económico da língua tem vindo a atrair cada vez mais atenção. Por exemplo, estima-se que este valor represente cerca de dezassete por cento do produto interno bruto português.

A defesa e promoção da língua portuguesa é uma das funções centrais da CPLP. No entanto, a organização não tem sido muito pró-activa na promoção das vantagens económicas de uma linguagem comum. Portugal e Brasil são até agora os dois únicos países lusófonos com capacidade efectiva para expandir a língua portuguesa para fora das suas fronteiras. Países como a Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste não têm, evidentemente, meios suficientes para a educação e promoção da língua. São estados lusófonos praticamente apenas no nome. Por outro lado, o idioma português vem enfrentando crescente concorrência de outras línguas em vários territórios onde detém estatuto oficial. A pressão de inglês em Timor Leste e do francês na Guiné-Bissau fornece exemplos eloquentes. Alguns afirmam mesmo que a luta para manter o português como língua oficial em Timor Leste é uma batalha perdida e que num futuro próximo a língua provavelmente será reduzida a pouco mais do que o estatuto oficial.

A comunidade lusófona tem o seu próprio lugar no mundo globalizado, assim como outras áreas tais como a Francofonia e a Commonwealth britânica. Esta comunidade é baseada em laços linguísticos, culturais, históricos, políticos e humanos. Em busca do seu lugar na economia global, os Estados-membros devem utilizar essa língua comum de uma forma mais pragmática – como ferramenta de desenvolvimento. A organização deve transformar uma herança comum em potencial criativo. Nesta matéria a China fornece um bom exemplo de pragmatismo e de compreensão da íntima relação entre linguagem e negócios. Tal como outros governos em todo o mundo, a China reconhece que é do seu interesse promover a aprendizagem de algumas línguas estrangeiras. O mercado global exige uma multiplicidade de línguas de trabalho. O inglês, sendo uma língua global, é muitas vezes insuficiente, sendo cada vez mais visto no mundo dos negócios como uma competência básica (para os primeiros contactos) e como a linguagem corporativa (nas empresas multinacionais), podendo o bom domínio de outras línguas fazer uma diferença substancial no aprofundamento das relações comerciais. O interesse da China no mundo lusófono evidencia o entendimento chinês sobre as potencialidades que derivam da utilização do português como uma ferramenta para a cooperação comercial e o desenvolvimento económico.


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